É comum aqui na Bluefields a gente acompanhar de perto uma pessoa sonhadora que, sem ter nada além da sua ideia, consegue validar seu negócio e seguir adiante nas etapas do early-stage. Não tão menos comum é acompanhar também aquelas mesmas pessoas que despertam de um sonho em meio a novos desafios. Nesse estágio não é mais necessário convencer tanta gente de que a ideia é boa, mas fazer essa ideia escalar com um perfil que requer mais gestão e estratégia. Afinal, os desafios do early-stage são bem diferentes dos desafios do growth-stage.

 

Desafio 1: Popularidade x Crescimento

Muitas vezes, seja internamente com o time ou externamente com os demais stakeholders, você precisa escolher entre manter a popularidade ou tomar decisões difíceis para crescer ainda mais o negócio, ou seja, aumentar o impacto da sua missão. Em alguns momentos, tomar decisões impopulares pode ter algum custo. Pode ser que algumas pessoas do seu time comecem a pensar que aquele propósito todo do começo já não é mais o mesmo. Pode ser que seus principais clientes demorem para compreender um novo posicionamento de marca. Ao longo do tempo, essas decisões se tornam mais complexas. O número de decisões diárias de alto impacto no negócio que founders precisam tomar é pelo menos 5 vezes superior no growth-stage do que no early-stage.

 

Desafio 2: Contratação não é só sobre a empolgação pelo propósito

Para empreendedores que realmente desejam crescer um negócio, a sensação ao ver um time crescendo em qualidade e tamanho é algo inexplicável. Sei que as novas contratações de pessoal no growth-stage são menos sensíveis do que no early-stage, principalmente porque se você errar nas primeiras contratações, provavelmente não terá fôlego financeiro para continuar. Porém, esse também é um grande risco para o growth-stage, porque você precisa profissionalizar um pouco mais o seu processo de recrutamento e seleção. Founders sabem exatamente do que estou falando: trazer pessoas para dentro da mesma forma que você fazia nos primeiros meses da startup não vai rolar!

 

Na fase de growth, cresce também a insegurança. Não são raros os momentos em que você olha para dentro e se pergunta: “Será que sou a pessoa certa para crescer esse negócio?”. Aquelas perguntas duvidosas dos primeiros dias também aparecem no início do growth-stage, mas com uma nova roupagem, sendo ainda mais perigosas. Um caminho que muitos tomam é ignorar tudo isso, sem aperfeiçoar um autoconhecimento para identificar áreas de melhoria. Outro caminho é ouvir todas essas vozes internas e se perder no processo.

 

Mas como minimizar o impacto desses desafios? As duas soluções abaixo são transversais, ou seja, cada uma delas ajuda diretamente os 3 desafios listados acima.

 

Solução 1: Forme um Board Estratégico

Na Bluefields, temos um conselho consultivo desde antes da nossa fundação e que se formalizou desde o dia 1. Muitos empreendedores são contrários a ter um Board, dizendo que conselhos atrasam a rapidez de uma startup. Posso dizer com experiência de causa a partir de 5 anos trabalhando dessa forma: o Board até pode reduzir a velocidade, porém, ainda mais importante que isso, o Board aumenta exponencialmente a agilidade. O que adianta você ser mais veloz em direções erradas? Quantas vezes o Board me orientou a tomar decisões contrárias do que eu achava e, no fim das contas, chegamos antes nos nossos objetivos de uma forma mais ágil e mais sábia.

Com um conselho consultivo, até agora nem mesmo uma única decisão estratégica aqui da Bluefields foi tomada unilateralmente. Uma startup em growth-stage com um Board de peso tem ganhos em produtividade, em sanity checks, é capaz de desafiar a ambição (ou a falta dela) no cumprimento da sua missão, apresenta uma saudável prestação de contas e tantas outras coisas. Bom, não é à toa que uma sabedoria bíblica milenar diz: “não havendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança”. Que tal um pouco de segurança em um ambiente de extremas incertezas, não é mesmo?

 

Solução 2: Capriche no Employee Experience

Há tempos as pessoas já não são chamadas de recursos humanos. Pessoas estão na essência de uma startup, afinal, não existe uma srta. startup. Startup é um conjunto de pessoas tentando fazer a diferença no mundo através da inovação. Quando começamos a entender toda a jornada de colaboradores por aqui, aprendemos que não existe um framework único. Ou seja, a jornada de uma colaborador na sua startup vai ser completamente diferente da jornada do seu concorrente. Portanto, EX (Employee Experience) é o que existe de mais estratégico no growth-stage. Sua startup só vai conseguir superar as novas dores de crescimento se você tiver efetividade em trazer novos talentos e manter talentos o máximo possível na organização.

Uma boa estratégia de Employee Experience começa ainda antes do onboarding. Ao usar táticas de Employer Branding, você consegue atingir talentos que ainda nem pensam em trabalhar na sua startup. Vocês ainda nem se conhecem, mas essa pessoa já faz parte da sua jornada de growth. Claro, um bom Employee Experience garante que pessoas tenham uma boa experiência com a sua cultura e valores durante toda jornada de colaboração, mas que também se mantenham conectados após esse período, o que chamamos por aqui de “jornada do sempre”.

 

Espero que o combo Board + EX possa te ajudar nessa jornada do growth-stage. Afinal, não é crescer de qualquer jeito, mas nas direções corretas e gerando impacto em e através das pessoas ao longo da jornada.

 

Escrito por: Paulo Humaitá

Founder & CEO da Bluefields Aceleradora

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